Nutrição Materno-Infantil

Dificuldades na Amamentação e o papel do nutricionista enquanto educador de saúde

O aleitamento materno, além de nutrir, reduz a morbimortalidade infantil, o desenvolvimento de doenças comuns na infância como diarreias e pneumonias, eleva os escores do quociente de inteligência e contribui para a formação do vínculo afetivo profundo entre o binômio mãe-lactente.

                Além disso, estima-se que a ampliação da amamentação possa prevenir 20.000 mortes ao ano de mulheres vítimas de câncer de mama e evitar 823.000 mortes a cada ano em crianças menores de cinco anos em quase todo o mundo. Assim, o aleitamento apresenta-se como fator de proteção aos cânceres de mama, ovário e diabetes tipo 2.

                Por todos esses benefícios a Organização Mundial da Saúde (OMS) e Ministério da Saúde do Brasil preconizam que o aleitamento, principalmente de forma exclusiva seja oferecido até os seis meses de idade da criança, podendo ser estendido até os 2 anos junto a alimentação complementar.

                Porém, apesar de todos os incentivos o aleitamento materno exclusivo no Brasil apresenta indicadores aquém dos níveis desejados. E um dos fatores que contribuem para o desmame precoce é a dificuldade inicial com a técnica da mamada. Ou seja, o posicionamento correto do binômio mãe-lactente, que assegura a pega adequada e evita traumas mamilares (mastite, fissura, ferida mamilar, dor, abscessos mamários, ingurgitamento mamário).

Assim, ainda antes do nascimento da criança, nós enquanto educadores da saúde, devemos incentivar que o parto seja realizado em um Hospital Amigo da Criança, para que a interação mãe e filho seja o mais próximo possível no parto, na primeira meia hora de vida. Uma pesquisa australiana constatou que lactentes que foram amamentados por suas mães nas primeiras 24-48 horas após o nascimento, foram mais suscetíveis a continuar a amamentação até os seis meses do aquelas que receberam fórmula láctea no período pós-parto precoce.

E nesse processo é importante que a criança esteja bem posicionada, sem o pescoço torcido ou o queixo longe da mama e verificar para corrigir caso o lábio inferior do bebê esteja virado para dentro.

Essencial, no momento de orientar é conhecer a história dessa mãe para nortear melhor a conversa e motivá-la a manter a amamentação. Por exemplo, um dos principais fatores limitadores para as mães manterem a amamentação exclusiva é ter que retornar ao trabalho fora de casa. Sabendo dessa condição devemos já ensiná-la quanto a retirada do leite de forma correta e armazená-lo. Esse tipo de conduta, ou seja, antecipar situações difíceis, apresentar soluções diante de possíveis problemas, orientar adequadamente sobre a técnica da mamada, destacando benefícios da prática é o caminho mais eficaz para motivar a continuidade da amamentação.

Assim, destaquei algumas informações imprescindíveis no momento de orientarmos as mamães:

Antes de iniciar a amamentação 3 passos são importantes:

– A mãe deve lavar as mãos, antebraço e unhas com água e sabonete. As unhas preferencialmente devem estar curtas para evitar que machuque o bebê e facilitar a higienização.

– Passar um pouco do próprio leite na região mamilo-areolar.

– Verificar a flexibilidade mamilo-areolar e caso a mama esteja cheia ou ingurgitada, a mãe deverá realizar massagem ou ordenha manual antes de colocar o bebê para mamar. Facilitando assim a pega e a retirada do leite.

Durante a amamentação:

– Apresentar a mama em C para auxiliar o aprendizado do bebê a ter boa pega.

– Para facilitar o reflexo de busca do bebê, pode-se virar o rostinho em direção à mama e tocar o mamilo na comissura labial esquerda, direita, superior ou inferior do bebê.

– As mães devem estar tranquilas no momento da amamentação, pois não há tempo fixo para o bebê mamar. Isso dependerá da pega, da posição adequada e da voracidade do bebê para retirar o leite. Pois o bebê suga, deglute, respira e pode fazer uma pausa, em alguns momentos, para descansar.

– Caso a pausa se prolongue, toque nas orelhas ou pés do bebê para que retome a sucção.

Observações importantes:

– Uma vez que o leite materno apresenta fácil digestão, os intervalos entre as mamadas são geralmente menores em bebês em aleitamento materno exclusivo. Diferentemente do que acontece com bebês que recebem fórmulas infantis.

– Antes de oferecer a outra mama é muito importante que o bebê esvazie a mama oferecida anteriormente. Garantindo assim que houve o consumo do leite anterior e posterior.

– Caso a mãe apresente trauma mamilar, mastite ou ingurgitamento, a posição ideal a ser orientada é a invertida, ou seja, a cabeça do bebê fica apoiada na mão da mãe, o antebraço apoia o corpo do bebê e a barriga do bebê permanece encostada na mãe. O braço que segura o bebê é o mesmo lado da mama oferecida.

– Já a posição cavaleiro pode ser indicada em casos de bebês prematuros, sonolentos, com lábio leporino, fenda palatina, com refluxo gástrico, obstrução nasal e portadores da síndrome de Down.

– Evitar a oferta de bico/chupeta, pois podem causar confusões de bico e interferir na interrupção do aleitamento.

Para tranquilizar as mães, as ensine a verificar se estão seguindo os 5 sinais de que a posição está correta:

  1. O bebê se aconchega até o peito da mãe, abraçando-a.
  2. A barriga do bebê encosta-se ao corpo da mãe.
  3. O rostinho do bebê fica de frente para a mama.
  4. A cabeça e a coluna do bebê estão alinhadas.
  5. A cabeça do bebê está apoiada no braço materno.

Conforme os estudos nos trazem é essencial a abordagem sobre o aleitamento materno desde o pré-natal, continuando após o parto. Pois, quando a amamentação se concretiza podem surgir dúvidas, dificuldades e ansiedades maternas que podem interferir no sucesso da amamentação.

BARBOSA, Gessandro Elpídio Fernandes et al . Dificuldades iniciais com a técnica da mamada e impacto na duração do aleitamento materno exclusivo. Rev. Bras. Saude Mater. Infant.,  Recife ,  v. 18, n. 3, p. 517-526,  set.  2018 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519 38292018000300517&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  14  maio  2019.  http://dx.doi.org/10.1590/1806-93042018000300005.
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